curtas (13): cidade das sombras
Cidade das Sombras é concepção integral do egípcio Alex Proyas: foi ele quem criou a história, assinou o roteiro e dirigiu a complexa trama que mistura ficção científica, fantasia e ação. Originalidade é a palavra-chave aqui. O aspecto geral é “quadrinhesco”, isto é, alude ao universo das HQs, tornando-se alvo de comparações com outras películas extraídas dos gibis, tais como Batman (do Tim Burton), Darkman (do Sam Raimi) e O Corvo (do próprio Alex Proya). A predominância do negro e dos tons azulados deve-se à ininterrupta atmosfera noturna, um dos temas centrais do enredo, que trata de uma cidade em que a luz do sol é vista somente por meio de fotografias. A cidade é um capítulo à parte: prédios residenciais, carros, lanchonetes, postes, estações de metrô, etc., que não se encaixam em tempo algum; a mistura do retrô com o moderno lhe confere um toque de atemporalidade. Se, por vezes, temos a impressão de se tratar de uma obra futurista, há também uma recorrente presunção de que a história é ambientada nos anos 40. Boa parte dos cenários foi reaproveitada um ano depois em Matrix pelos irmãos Wachowski, porém é difícil fazer associação entre os dois trabalhos, apesar de algumas semelhanças na narração. Matrix é um contínuo festival de efeitos visuais; já a ênfase em Cidade das Sombras se dá principalmente na montagem superfragmentada, resultado dos anos em que Proya trabalhara como diretor de comerciais e de videoclipes. É verdade, existe uma certa restrição dos efeitos especiais; nada de exageros (o abuso é cometido apenas nas seqüências finais, de forma altamente justificável).
No elenco, alguns rostos famosos, como William Hurt, Jennifer Connelly e Kiefer Sutherland, todos em harmonia com seus personagens, cada qual exercendo a própria função adequadamente. O protagonista, entretanto, é vivido por um pouco expressivo e pouco conhecido Rufus Sewell (talvez a falta de expressividade seja proposital, eu teria de comprovar com algumas revisões da fita): ele é John Murdoch, um amnésico que, perseguido sem imaginar por que, descobre um terrível plano praticado por seres dotados de poderes mágicos e telepáticos que controlam a cidade e o tempo: eles modificam a identidade dos cidadãos, fazendo-nos dormir e introduzindo-lhes memórias artificiais, injetadas diretamente no cérebro por fórmulas químicas. Mas é curioso notar que, fora os personagens centrais, Proya quase não dá voz à pequena população daquela cidade imersa na escuridão (não há luz solar; os estranhos seres que controlam o local são como vampiros, carecas e pálidos que nem Nosferatu); parece uma cidade-fantasma (os bares estão quase vazios, os becos, desérticos, as avenidas exibem uma dúzia de carros e acabou; uma quantidade mínima de figurantes é aproveitada em cena). No geral, é uma visão pouco aprazível de um planeta narcotizado por pessoas poderosas, seja ele fincado no passado ou no futuro. A conferir, sem dúvida.
CIDADE DAS SOMBRAS (dark city) – Austrália / EUA, 1998
Direção: Alex Proyas. Elenco: Rufus Sewell, William Hurt, Kiefer Sutherland, Jennifer Connelly, Richard O'Brien, Ian Richardson, Bruce Spence e Melissa George.
No elenco, alguns rostos famosos, como William Hurt, Jennifer Connelly e Kiefer Sutherland, todos em harmonia com seus personagens, cada qual exercendo a própria função adequadamente. O protagonista, entretanto, é vivido por um pouco expressivo e pouco conhecido Rufus Sewell (talvez a falta de expressividade seja proposital, eu teria de comprovar com algumas revisões da fita): ele é John Murdoch, um amnésico que, perseguido sem imaginar por que, descobre um terrível plano praticado por seres dotados de poderes mágicos e telepáticos que controlam a cidade e o tempo: eles modificam a identidade dos cidadãos, fazendo-nos dormir e introduzindo-lhes memórias artificiais, injetadas diretamente no cérebro por fórmulas químicas. Mas é curioso notar que, fora os personagens centrais, Proya quase não dá voz à pequena população daquela cidade imersa na escuridão (não há luz solar; os estranhos seres que controlam o local são como vampiros, carecas e pálidos que nem Nosferatu); parece uma cidade-fantasma (os bares estão quase vazios, os becos, desérticos, as avenidas exibem uma dúzia de carros e acabou; uma quantidade mínima de figurantes é aproveitada em cena). No geral, é uma visão pouco aprazível de um planeta narcotizado por pessoas poderosas, seja ele fincado no passado ou no futuro. A conferir, sem dúvida.
CIDADE DAS SOMBRAS (dark city) – Austrália / EUA, 1998
Direção: Alex Proyas. Elenco: Rufus Sewell, William Hurt, Kiefer Sutherland, Jennifer Connelly, Richard O'Brien, Ian Richardson, Bruce Spence e Melissa George.
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